Um dia, uma moça em quem eu confiava decidiu ser sincera, não com os segredos dela, mas com os meus! Ser sincero com os segredos dos outros não é honestidade, é falta de lealdade. Ela poderia (D E V E R I A) ter me procurado e dito: não concordo com o que você está fazendo, você deve confessar seus pecados, se arrepender dos seus erros. Mas não, ela foi e confessou meus pecados sozinha, sem minha presença ou autorização. Ela se portou como heroína, “robinwoodiana” e inconseqüente, como um Sylar cujo superpoder é viver a vida dos outros, se apoderando da sordidez alheia pra aliviar o tédio de seus dias medíocres de quem não se abstém por um ideal, mas por medo de viver.
Bom, é claro que eu neguei até a morte, mas em momento algum eu fui desleal a ela. Eu guardei seus pecados e esperei que ela mesma se arrependesse e sofresse suas conseqüências como qualquer cristão faria. Eu fui leal até mesmo a quem se beneficiou dos meus erros, sentando no próprio rabo para julgar o meu. Eu fui leal e sou leal até hoje, sem sentir que seria menos lesada se botasse a boca no mundo e cuspisse todas as transgressões de quem me colocou na berlinda!
Então, oito anos depois, ela me escreveu dizendo que está com saudades. Ela, que destruiu minha reputação, minha ingênuidade e minhas amizades. E eu estou aqui, em frente ao computador, pensando numa resposta educada.
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